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Meu bebê mantém a cabecinha sempre para um mesmo lado, isso é normal?

25 Oct

Meu bebê mantém a cabecinha sempre para um mesmo lado, isso é normal?

Então, os pais chegam ao consultório contando que notaram que seu bebê tinha uma preferência sempre por um lado... Alguns não se incomodaram ao perceber, outros acharam até mesmo que era um “charme” da criança, e existe ainda uma parte que achou que era normal, não levando esse questionamento à consulta pediátrica de rotina.

Nas primeiras semanas de vida os recém-nascidos não têm força e coordenação para manterem suas cabeças no centro de seus corpos e qualquer ligeiro desequilíbrio do corpo já altera drasticamente a direção da cabeça. A gravidade tem um efeito maior ainda na posição da cabeça e quando o bebê é colocado em uma posição semi-reclinada como no "bebê conforto", por exemplo, as preferências são facilmente exacerbadas, sendo essa uma das razões pelas quais recomenda-se que os pais limitem o tempo de bebês nesses e em outros dispositivos (cadeirinhas, balancinhos).

 

 

A grande questão é que nessas mesmas primeiras semanas é a própria gravidade que vai ajudar o bebê a ganhar força e se equilibrar. Caso a preferência permaneça mesmo após seis semanas de vida, é preciso acender um farol amarelo e olhar atentamente para essa questão.

Isso porque tais preferências - que podem não significar nada em um primeiro momento – quando persistentes, podem levar ou ser consequência de dois fatores importantes: 
torcicolo congênito e a plagiocefalia posicional, sem podermos determinar o que veio primeiro em muitos casos, “ o ovo ou a galinha”: a criança pode desenvolver a assimetria do crânio ( a chamada cabecinha torta de forma popular) por ficar inclinada devido ao encurtamento de seu pescoço, ou então o seu músculodo pescoço pode apresentar o encurtamento pelo fato da criança ficar muito tempo numa posição devido ao achatamento já presente de seu crânio.

 

 

PLAGIOCEFALIA

Quer como causa quer consequência ambos os problemas prescisam ser tratados, e a intervenção mais precoce deve começar assim que a preferência seja identificada, tanto pelos pais, parentes ou profissionais de saúde.

O IMPORTANTE É ENTENDER QUE, NA PRESENÇA DA PREFERÊNCIA POSICIONAL, OS TRATAMENTOS DO CRÂNIO E DO PESCOÇO ANDAM JUNTOS, e assim vem sendo realizado nos maiores centros de referência de assimetrias cranianas no mundo!).

 

 

Para a plagiocefalia o tratamento começa com o reposicionamento nas idades mais tenras. Quando essa estratégia não for suficiente ou ainda nos casos mais severos uma órtese craniana pode ser usada 23 horas por dia. É preciso um olhar atento e experiente para saber quando é necessário mudar a estratégia de tratamento.

Para o torcicolo, por sua vez, é preciso agir alongando o músculo comprometido e ajudando o lactente a desenvolver suas tarefas de forma simétrica, para que não haja comprometimento em seu desenvolvimento motor.

Mas é sempre importante entender que são pequenas atitudes ( um bom programa de reposicionamento, passar algum tempo de barriguinha para baixo, alongamentos e atividades diárias bem orientadas) que podem fazer toda a diferença nesses tratamentos.

Quanto mais cedo os cuidados melhores os resultados e mais rapidamente a deformidade e o torcicolo podem ser solucionados.

 

 

Especialista em assimetrias cranianas e torcicolo congênito com treinamentos e estágios internacionais (Star Cranial Center of Excelence - Maryland, Hospital for Special Surgery- Nova Iorque e Childrens Hospital of Pittsburgh). Foi a primeira fisioterapeuta brasileira a trabalhar com assimetrias cranianas (capacetes) e a realizar publicações internacionais sobre o tema. A partir de seu trabalho inicial treinou outros profissionais ajudando na implantação deste tratamento no Brasil com seu profissionalismo, palestras, artigos científicos e sua ação educacional.